Você abre o Instagram da sua empresa e percebe que já faz alguns dias desde a última publicação. A primeira preocupação aparece: “Precisamos postar alguma coisa.”
Mas o quê?
Uma foto do produto? Uma arte falando sobre um serviço? Uma data comemorativa? Talvez seja melhor aproveitar aquele vídeo que está em alta. Ou, quem sabe, impulsionar uma publicação para aumentar o alcance.
Se essa situação parece familiar, existe uma pergunta mais importante para fazer antes de decidir qual será o próximo post:
Qual é a estratégia de marketing da sua empresa?
E não, “postar três vezes por semana no Instagram” não é uma estratégia.
Essa confusão é bastante comum, principalmente em pequenas empresas. As redes sociais são a parte mais visível do marketing e, por isso, é fácil associar uma coisa à outra.
Mas marketing é muito maior do que Instagram.
Afinal, o que é uma estratégia de marketing?
Vamos tirar o marketingês da conversa.
Uma estratégia de marketing é, basicamente, a definição de como sua empresa pretende encontrar as pessoas certas, mostrar por que sua solução é relevante para elas e criar caminhos para transformá-las em clientes.
Parece simples. E, em essência, é.
O problema começa quando pulamos essa etapa e vamos diretamente para as ferramentas.
É como decidir comprar tinta antes de saber o que será construído.
Instagram, Google, site, anúncios, e-mail, WhatsApp, eventos e conteúdo são canais e ferramentas. Eles podem fazer parte da estratégia, mas não são a estratégia.
Antes de escolher qualquer um deles, precisamos entender o que queremos alcançar.
Sua empresa precisa ser mais conhecida? Precisa gerar novos contatos? Tem muitos interessados, mas poucos fecham negócio? Os clientes compram uma vez e nunca mais voltam? Depende quase exclusivamente de indicação?
Perceba que são problemas diferentes.
Por que todos eles teriam a mesma solução?
“Mas minha empresa é pequena. Eu realmente preciso de tudo isso?”
Talvez essa seja uma das perguntas mais importantes deste texto.
Porque existe uma ideia de que planejamento de marketing é coisa de empresa grande, com departamento estruturado, agência, verba de mídia e uma reunião marcada especificamente para discutir o planejamento da próxima reunião.
Não é.
Na verdade, quanto menor o orçamento, mais importante é saber onde colocar os recursos disponíveis.
Imagine uma pequena empresa com R$ 1.000 disponíveis para investir em marketing.
Esse dinheiro pode ir para anúncios no Instagram.
Mas e se os potenciais clientes estiverem procurando aquele serviço principalmente no Google?
Pode ser investido em Google Ads.
Mas e se o site não explicar claramente o serviço e ninguém entrar em contato depois de clicar?
Pode ser usado para contratar alguém para produzir conteúdo.
Mas quais conteúdos precisam ser produzidos? Para quem? Com qual objetivo?
Quando existe pouco dinheiro, testar absolutamente tudo ao mesmo tempo pode significar não fazer nada suficientemente bem.
Estratégia também é escolher.
Antes de pensar no que postar, responda: quem você quer alcançar?
“Todo mundo.”
Essa é uma resposta extremamente tentadora.
Se muitas pessoas podem comprar seu produto, por que limitar a comunicação?
Porque poder comprar não significa ter o mesmo motivo para comprar.
Pense em uma academia.
Ela pode atender uma pessoa de 25 anos que quer ganhar massa muscular, alguém de 40 que decidiu sair do sedentarismo e uma pessoa de 65 que procura orientação para manter uma rotina mais ativa.
Todos podem comprar exatamente o mesmo serviço.
Mas você falaria com os três da mesma maneira?
Provavelmente não.
Entender o público não significa necessariamente excluir clientes. Significa compreender com quem você está conversando naquele momento e qual problema é relevante para aquela pessoa.
Quando uma empresa tenta falar com todo mundo ao mesmo tempo, a comunicação frequentemente termina em frases como:
“Qualidade e excelência para você.”
Mas qualidade em quê?
Excelência para quem?
Por que eu deveria me importar?
Quanto mais genérica a mensagem, mais trabalho o potencial cliente precisa fazer para descobrir se aquela empresa é relevante para ele.
E seu cliente provavelmente não está disposto a fazer esse trabalho.
O que você quer que essa pessoa faça?
Vamos imaginar que você publicou um conteúdo e ele teve 20 mil visualizações.
Foi bom?
A resposta correta é: depende.
Se o objetivo era aumentar o reconhecimento da marca, pode ser um excelente resultado.
Se a intenção era gerar pedidos de orçamento e ninguém entrou em contato, talvez não tenha sido.
Esse é um dos motivos pelos quais analisar marketing apenas por curtidas e seguidores pode ser perigoso.
Esses números não são inúteis. Eles apenas precisam de contexto.
Antes de criar uma ação, pergunte:
O que eu espero que aconteça depois dela?
Talvez você queira que a pessoa conheça sua empresa.
Talvez queira que ela leia outro conteúdo.
Talvez queira levá-la ao site.
Talvez o objetivo seja receber uma mensagem pelo WhatsApp.
Ou realizar uma venda.
Quando sabemos o que queremos provocar, fica muito mais fácil decidir o que produzir e também avaliar se aquilo funcionou.
Por que alguém escolheria sua empresa?
Agora chegamos a uma pergunta um pouco mais desconfortável.
Se existem outras empresas oferecendo algo parecido, por que o cliente deveria escolher você?
“Porque temos qualidade.”
Seus concorrentes provavelmente dizem a mesma coisa.
“Porque temos bom atendimento.”
Eles também.
“Porque somos comprometidos com nossos clientes.”
É difícil imaginar uma empresa anunciando orgulhosamente que não é.
Isso significa que você precisa inventar um diferencial revolucionário?
Não.
Mas precisa entender quais aspectos realmente têm valor para seu cliente.
Pode ser especialização em determinado público. Rapidez. Localização. Experiência. Atendimento próximo. Metodologia. Conveniência. Conhecimento técnico. Portfólio. Condições comerciais. Uma combinação de diferentes fatores.
O ponto é: se nem você consegue explicar claramente por que sua empresa deve ser considerada, dificilmente o marketing conseguirá fazer isso sozinho.
Marketing não inventa valor. Ele ajuda a tornar esse valor perceptível.
Então o Instagram não importa?
Importa.
A questão não é abandonar as redes sociais.
É parar de tratá-las como se fossem todo o marketing da empresa.
Para alguns negócios, o Instagram pode ser um dos principais canais de aquisição. Para outros, Google, indicação, WhatsApp, eventos, parceiros ou prospecção comercial podem ter um peso muito maior.
E como descobrir?
Comece olhando para algo que muitas empresas ignoram: de onde vêm seus clientes hoje?
Pergunte.
Eles encontraram você no Google? Viram um conteúdo? Receberam uma indicação? Passaram em frente à empresa? Viram um anúncio? Conheceram seu trabalho em um evento?
Depois, observe o caminho até a compra.
Quantas pessoas pedem orçamento? Quantas fecham? Quais serviços vendem mais? Quais dúvidas aparecem antes da contratação? Por que alguns clientes desistem?
Você não precisa começar com um dashboard de 47 indicadores.
Comece entendendo o negócio.
Uma estratégia de marketing para pequenas empresas pode começar com quatro perguntas
Antes de decidir que sua empresa precisa publicar mais, anunciar mais ou estar em mais uma rede social, responda:
- Quem queremos atrair?Não apenas quem pode comprar, mas quais clientes fazem sentido para o negócio.
- Qual problema resolvemos para essas pessoas?Tente responder usando a linguagem que seu cliente usaria, não a descrição técnica do seu produto.
- Onde essas pessoas procuram soluções como a nossa?É ali que sua empresa precisa construir presença.
- O que queremos que aconteça depois que elas nos encontrarem?Entrar em contato? Pedir orçamento? Visitar a loja? Agendar? Comprar?
Essas respostas não formam um planejamento completo de marketing.
Mas já mudam completamente a pergunta.
Em vez de:
“O que vamos postar esta semana?”
sua empresa começa a perguntar:
“O que precisamos comunicar para atingir nosso objetivo?”
E essa mudança parece pequena, mas é justamente a diferença entre produzir ações isoladas e começar a construir uma estratégia.
Marketing não precisa ser complicado. Precisa fazer sentido.
Uma pequena empresa não precisa necessariamente estar no Instagram, TikTok, LinkedIn, YouTube, Google, e-mail e em todas as plataformas que aparecerem no próximo ano.
Também não precisa executar todas as estratégias que funcionaram para outra empresa.
Precisa entender seu negócio, seu público, seus objetivos e os recursos disponíveis.
Só depois vêm os canais.
Porque postar por postar pode até manter o Instagram atualizado.
Mas uma empresa não precisa apenas de um Instagram atualizado. Ela precisa de marketing que ajude o negócio a chegar a algum lugar.
